domingo, 12 de abril de 2015

O Outono - Rubem Alves - O agora - Rose Colaneri

Art by Hopare


O agora...

É assim...quem pensa que tem todo o tempo do mundo, vive maya intensamente..nada esta em nossas mãos..nem o tempo, nem a vida..
nada espera por nos...não ha garantias de nada, nem da  primavera, nem do outono, nem do momento certo para fazer aquilo que deve ser feito...

Nada nos espera!

Carpe Diem!

Hoje!

Agora!

Se preciso for, reajuste suas velas, em qualquer estacão da vida há muitos recomeços...tente, tente mais uma vez...nem todos os mares são bravos, nem todos os ventos são fortes demais...se está no outono da vida, viva a calmaria do crepúsculo,  que só os sensíveis sabem aproveitar!! Só os sensíveis....

Seja forte, serena(o)...mantenha esperança...nunca  pise em ninguém, não magoe pessoas, não machuque corações, não engane, e
não permita que te enganem, que te roubem o brilho do olhar...

Não permita que suas marcas na vida alheia sejam de dor, desamor...

Conserte seus erros hoje, pois  pode não haver mais tempo... 
as pessoas com quem errou, podem não mais estar vivas...

O tempo não conserta tudo...pelo contrário...ele piora tudo!

Viva como se não houvesse amanhã, pois pode não haver mesmo...

Reconheça a fragilidade da vida e do momento...bolhas de sabão...

Não perca seu tempo com coisas e pessoas que não  fazem  vc sorrir...

A lei da vida  é : colhemos o que  plantamos!

Valorize seus sentimentos, voe alto, mas saiba aterrizar com firmeza....

Não permaneça em relações sem amor,  é a maior hipocrisia que existe...

Cultive relações verdadeiras, não se engane com mundo virtual onde todos são felizes e poderosos...

Olhos nos olhos é muito importante..saiba ver a honestidade e a verdade neles,

Se não querem estar ao seu lado espontaneamente, se te ignoram ou te abandonam...não te amam...isso é sempre certo...

Quem ama, sempre..sempre estará ao teu lado, mesmo que esteja com problemas também...

Não alimente relacionamentos com pessoas egoístas,  sempre nos machucam...

Os egoístas acabam suas vidas sempre sozinhos...nunca seja um!

Não alimente qualquer tipo de preconceito, isso corrompe sua alma...

Jamais abandone a racionalidade, muito menos as emoções do coração...

Cuide de seus sentimentos, cuide para não ferir o coração de ninguém...

O mundo dá voltas...
e pode não haver tempo para consertar algumas falhas...
o peso disso atrasa sua vida!
Pode não haver tempo para viver momentos únicos com pessoas únicas...

Ame  e faça o que tem que ser feito, como se não houvesse amanhã...

porque não há...não há

Carpe Diem!

Rose Colaneri


Do meu, para sempre amado, Rubem Alves...


O Outono


Foi-se, finalmente, o verão, não sem antes, fazer algumas grosserias e malcriações: trovejou, relampejou, choveu, inundou. Não queria ir embora. Compreendo. Queria ficar para ver e namorar o outono, que é muito mais bonito que ele. Verão, quarentão: recusava-se a aceitar os sinais da passagem do tempo. Não queria dizer adeus. Gostaria de ficar. A vida é tão boa! Mas o tempo é implacável. O Sol disse que a hora do seu adeus havia chegado. Foi se inclinando no céu, suas viagens cada vez mais curtas, as noites mais longas, o crepúsculo chegando mais cedo, as manhãs chegando mais tarde. O vento antes convidava a que se tirasse a camisa. Agora ele causa arrepios e chama os agasalhos das gavetas onde dormiam. O céu fica mais azul. Deve ter sido numa tarde de outono que os Beatles compuseram aquela balada que canta:

"...because the Sky is blue it makes me cry...” 

E o verde das plantas fica mais verde. O Verão é inquieto. Tudo nele convida a sair e a agir. O Outono é tranqüilo, introspectivo, convida ao recolhimento e à meditação. É um convite ao pensamento.

Gosto especialmente das suas tardes. O verão é a estação do meio-dia. O outono vive mais ao sol que se põe. E como são belos os dois, O Outono e as tardes. Há uma pitada de tristeza misturada no ar. “O que é bonito enche os olhos de lágrimas”, diz a Adélia. Os dois se parecem porque os dois estão cheios de adeus.

A tarde

... é este ssossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.
É esta curva dos pombos, rente aos telhados,
este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas,
ainda sem luz...

Na cidade onde eu vivi, no interior de Minas, ao crepúsculo se tocava a Ave Maria, e era como se toda a natureza parasse e rezasse. Eu gostava de ficar olhando para as árvores: havia uma imobilidade absoluta no ar. Nem um único tremor perturbava a tranquilidade pensativa das folhas. E as nuvens ao poente se coloriam de verde claro, passando pelos, amarelos, laranjas, e vermelhos, até o roxo, que se preparava para desaparecer na escuridão. Tudo belo. Tudo triste. E pensamos pensamentos diferentes daqueles de durante o dia. 

Para Wordsworth,
as nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe
ganham seu colorido triste
de olhos que têm atentamente
observado a mortalidade dos homens
.

O crepúsculo e o Outono nos fazem retornar à nossa verdade. Dizem o que somos. Metaforas de nós mesmos, eles nos fazem lembrar que somos seres crepusculares, outonais. Também somos belos e tristes... Como o Verão quarentão também nós não queremos partir... 

Paul Bouget nos diz:

Quando, ao sol que se põe, os rios ficam cor de rosa
e um leve tremor percorre os campos de trigo,
parece das coisas surgir uma suplica de felicidade
que sobe até o coração perturbado.
Uma súplica de degustar o encanto de se estar no mundo
enquanto se é jovem e a noite é bela.
Pois nós vamos,
como se vai esta onda:
Ela, para o mar,
nós para a sepultura.


Quem quer que pare para ouvir as vozes do Outono e da tarde perceberá que, dentro da sua beleza, nos falam a nossa vida e a nossa morte. Nada de mórbido. Só podem viver bem aqueles que aprendem a sabedoria que a morte ensina.
Foi assim que o professor de literatura, no filme A sociedade dos poetas mortos, iniciou o aprendizado dos seus alunos. Vocês se lembram?

 Levou-os até uma fotografia onde se encontravam, imobilizadas sobre o papel, pessoas. Agora todas estavam mortas. 

Também nós, um dia. 

A lição da poesia é que é preciso contemplar o crepúsculo no horizonte para se sentir a beleza incomparável do momento... Cada momento é único. Não há tempo para brincadeiras. Carpe diem: colha o dia, como algo que nunca mais se repetirá, como quem colhe o crepúsculo, “antes que se quebre a corrente de prata, e se despedace a taça de ouro...” Beba cada momento até as últimas gotas. É preciso olhar para o Abismo face a face, para se compreender que o Outono já chegou e que a tarde já começou. Cada momento é crepuscular. Cada momento é outonal. Sua beleza anuncia seu iminente mergulho no horizonte.

Quando o sol está a pino estas ideias não nos perturbam. Tudo parece estar bem. Há muito tempo ainda. As rotinas do trabalho ocultam a nossa verdade. Mas elas não podem impedir nem que a tarde chegue, com suas cores de adeus, e nem que o outono chegue, anunciando a proximidade do Inverno. E eles nos forçam a ter pensamentos diferentes, pensamentos de solidão. São mestres silenciosos. Se prestarmos atenção e ouvirmos o que nos dizem, ficaremos sábios. Porque sabedoria é isto: contemplar o abismo, sem ser destruído por ele. Nas palavras de Rilke, “conter a morte inteira, docemente, sem nos tornar amargos”.

 *Rubem Alves*


 Porque sabedoria é isto: 
contemplar o abismo, sem ser 
destruído por ele...

 “conter a morte inteira, docemente, sem nos tornar amargos".

Namaste!

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