segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

24 de dezembro - Pai...saudades...Comemorar, recordar - Rubem ALves

As rosas tem significado pessoal - 
 "um simbolo de amor eterno entre eu, minha filha e meu pai"... !
24 de dezembro - aniversario de meu PAI -
Saudades demais...
 
 
A saudade é um buraco na alma que se abriu
quando um pedaço nos foi arrancado.
No buraco da saudade mora
 a memória daquilo que amamos,
tivemos
e
perdemos.
A saudade é a presença de uma ausência.
***
 
A saudade abre as portas
para os lugares mais fechados,
e mais belos de nossas mentes.
Até o silêncio torna-se aliado da saudade...
Um quarto silencioso é o local mais apropriado
para que essa tal da saudade apareça...
E ela vem... Medindo o amor...
E dizendo “você não cabe em um lugar tão pequeno!
Precisa sair” e o amor sai...
Derrama-se pelo rosto
e o “buraco dolorido na alma” fica maior...





*Rubem Alves*

 
 
Comemorar, recordar...
 
É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.
 
Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?
 
Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.

 
Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...

 
Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.

 
Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"

 
Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."

 
Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira.

 
 Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...
*Rubem Alves*


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beethoven - Fantasia Coral em Dó Menor - Op.80 - Fantasy Choral by Rose Colaneri

Steinway, N C Wyeth, "Beethoven and Nature" (1919)
"Pouca gente compreende que cada frase musical é um trono da paixão e que a paixão é o trono da música".
*Beethoven*

Fantasia Coral em Dó Menor - Op.80
A pérola esquecida de Beethoven...

Esquecimento esse I.M.P.E.R.D.O.Á.V.E.L.

Pouco se fala dessa magnífica obra do grande Beethoven, raros são os artigos encontrados, mesmo em bons livros biográficos às vezes somente uma pequena menção, o que para mim é um grande sacrilégio, uma grande injustiça à obra e à grandeza de alma de Ludwig van Beethoven.

Fantasia Coral traz em sua "suprema magnitude" uma "sublime leveza". Ao ouvi-la não consigo conter a emoção que me toma completamente...é brilhante a forma como essa obra me transporta a um mundo surreal de indizível prazer...beleza...êxtase !!!

Composta em dezembro de 1808 em tempo muito curto para os padrões, foi apresentada em 28 de dezembro de 1808 na Academia de Viena num grande concerto de Beethoven em seu próprio beneficio, já que estava em grandes dificuldades financeiras.

No programa, Beethoven estreou a Quinta e a Sexta Sinfonias, Concerto nº4 para piano e orquestra, e também foram apresentados os primeiros três movimentos da Missa, Op. 86 e Abertura Coriolano e para dar um "Gran Finale" a essa brilhante noite, ele apresentou fantasia para piano em ritmo de Adágio.

Já no inicio destaca-se as variações ao piano, diz-se que foi o próprio Beethoven que atuou como solista com seu estilo de improvisar e talvez tenha sido esta, uma das ultimas apresentações do grande compositor ao vivo, já que a surdez o afastava dos palcos. Houve nessa apresentação uma série de problemas devido em parte à falta de ensaios adequados e também ao conflito durante a performance da música. No entanto, essa magnífica obra de Beethoven sobrevive até os dias de hoje.

Diz-se ser essa obra, o prenuncio de Ode a Alegria, já que se assemelha muito do que será esse magnifico final da Nona Sinfonia, 15 anos mais tarde.

Fantasia Coral reúne orquestra, coro e uma parte de piano solo, tem cerca de 20 minutos e divide-se em dois movimentos : Adágio e Finale Allegro

Eis os ultimos versos - côro:

"Aceitai, pois, alegremente, almas nobres,
Os presentes da nobre arte.
Quando o amor e a força se unem,
O homem é agraciado pelo favor dos deuses"...

Ludwig van Beethoven - o Grande Maestro - Compositor - Pianista - Professor - Um Grande Mestre - o melhor para mim...THE BEST !!

Rose Colaneri

sábado, 7 de julho de 2012

Ao meu Pai !!







Ainda te Necessito

"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.

Ainda não estou preparado pra crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.

Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.

Não estou preparado para que não me abraces
e para não poder te abraçar.

Ainda te necessito.

E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?

Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.

Ainda te Necessito."

*Pablo Neruda*


Desejo a máquina do tempo para que não haja o havido e eu recomece misericordiosamente."
" É tão breve tudo, a estrela risca o céu de escuro a escuro
e findou-se a vida".
*Adélia Prado*

" A vida não faz qualquer pausa para nos lembrar que está indo embora.
Só você mesmo pode manter isso em mente."
*SÊNECA*

Muitas velas, muitos remos.
Âncora é outro falar ...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular
*Cecília Meireles*



"Por isso, por causa desse tempo misterioso, é preciso amar cuidadosamente com o olhar,
com os ouvidos, com a mão que tateia para não ferir… enquanto há tempo..."
*Rubem Alves*


"Céu é o lugar poético onde estão guardadas as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou.
Falar 'Céu' é dizer esperança de reencontro."
*Rubem Alves*

♥ Pai ♥
...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Turandot - A Ópera - Puccini ♫ Nessun Dorma ♫

Tela do artista Karl Bang


Turandot

A Princesa Turandot, filha do Imperador Altum da China, odeia todos os homens, e jura que jamais se entregará a nenhum deles; isto devido a um fato ocorrido na família imperial que a traumatizou para sempre: o estupro e assassinato da princesa Lo-u-Ling, quando os tártaros invadiram e conquistaram a China. Seu pai, porém, exige que ela se case, por razões dinásticas, e para respeitar as tradições chinesas. A princesa concorda; porém, com uma condição: ela proporá três enigmas a todos os candidatos, que arriscarão a própria cabeça se não acertarem todos os três, e somente se casará com aquele que decifrar todas as três duríssimas charadas. A crueldade e frieza da princesa não fazem mais do que atiçar a paixão do Príncipe Desconhecido, filho do deposto rei dos tártaros, que decide arriscar a própria vida para conseguir a mão da orgulhosa princesa. Ele consegue, após a derrota de todos os outros candidatos, até porque é o único que compartilha da natureza sádica e egoísta da princesa, sendo capaz de entendê-la.

Ato I

Pequim. Um arauto do governo imperial anuncia à multidão, reunida na Praça da Paz Celestial, o decreto do imperador Altum: a Princesa Turandot desposará aquele que, de sangue real, decifre os três enigmas que ela proporá. Aquele que se arriscar, porém, e fracassar, pagará com a vida. O Príncipe da Pérsia acaba de tentar, mas não teve sorte: será executado ao nascer da lua. A multidão mal pode esperar para ter o prazer de assistir à execução (Perchè tarda la luna?). No meio dessa turba ensandecida está o velho Timur, incógnito príncipe destronado dos tártaros, e sua fiel servidora Liù. O Príncipe Desconhecido, filho de Timur, exulta de alegria ao reencontrar seu pai, que julgava morto. A lua surge no céu. Aparece o Príncipe da Pérsia a caminho do patíbulo; longe de parecer assustado diante da morte, ele parece estar num êxtase místico, embriagado pela beleza de Turandot. Aqui a princesa entra em cena pela primeira vez. Tomados de compaixão pelo jovem príncipe, todos suplicam-lhe por clemência; mas, ao invés, sem hesitar um só segundo, num gesto imperioso, frio, e cruel, ela dá o sinal ao carrasco que faz descer o machado no pescoço do príncipe. É neste exato momento que o Príncipe Desconhecido se apaixona por Turandot, e anuncia sua intenção de se candidatar à mão da princesa. Todos tentam demovê-lo da idéia: seu pai, os três ministros imperiais Ping, Pang e Pong, e Liù que, numa comovente ária, Signore ascolta, confessa que está apaixonada pelo príncipe desde o dia em que pela primeira vez o viu sorrir no palácio real. O Príncipe responde pedindo-lhe que nunca deixe de tomar conta de seu velho pai, se ele vier a faltar (Non piangere Liù). Aos gritos gerais de louco! insensato! o que estás fazendo? - o príncipe toma do martelo, e dá três golpes no gongo, sinal de que está se candidatando à mão de Turandot.

Ato II

Os três ministros Ping, Pang e Pong discutem o destino da China, e comentam que, desde que Turandot começou a reinar, ninguém mais tem paz no Celeste Império: o machado e os instrumentos de tortura funcionam noite e dia. Monta-se a cena diante do Palácio Imperial para a cerimônia dos enigmas. Surge em cena o velho imperador Altum, que tenta convencer o jovem pretendente a desistir: "Permite, meu filho, que eu possa morrer sem levar para o túmulo essa culpa pela tua jovem vida, muito sangue já correu!" Mas é tudo em vão, a obstinação do jovem Príncipe Desconhecido deixa todos estupefatos. Surge Turandot, que olha o candidato com olhar frio, impassível, e cheio de desdém. Sua voz se faz soar pela primeira vez: "Neste palácio (In questa Reggia), já faz mais de mil anos, um grito desesperado ressoou; e aquele grito, da flor da minha estirpe, um eco eterno na minh'alma deixou. Princesa Lo-u-Ling!… Há séculos ela dorme na sua tumba enorme! Estrangeiro, desiste! Os enigmas são três, a morte é uma." Tendo o príncipe recusado sua última chance de escapar ileso, Turandot expõe seu primeiro enigma. "Qual é o fantasma que nasce todas as noites, apenas para morrer quando chega a manhã?" "É a esperança," responde o príncipe. Os três sábios do reino consultam o livro das respostas: primeira resposta, correta. Turandot, por um breve momento, parece ter sentido um choque, mas não se deixa abater, e diz cheia de escárnio: "Sim! A esperança que ilude sempre!" Impassível, ela propõe o segundo enigma: "O que é vermelho e quente como a chama, mas não é chama?" "O sangue," responde o príncipe. Os sábios consultam seus livros: a segunda resposta também está correta. Agora, Turandot parece ter perdido um pouco a compostura, mas se convence de que nem tudo está perdido. Vem o terceiro enigma: "Qual é o gelo que te faz pegar fogo?" "Turandot." "Turandot! Turandot!" gritam os sábios em coro. Resposta correta! Agora, o desespero toma conta de Turandot, que se atira nos braços do pai: "Pai, não me obrigue a entregar-me a este estrangeiro!" Mas seu pai lhe responde que nada pode fazer: o juramento é sagrado. O Príncipe Desconhecido, porém, afirma que não quer ter Turandot contra a vontade da princesa. Ele propõe-lhe, então, um único enigma; se ela responder corretamente, ele desiste dos seus direitos, e entrega sua cabeça ao carrasco. "Tens até a aurora," diz ele, "para descobrir meu nome."

Ato III

Funcionários públicos percorrem as ruas de Pequim com lanternas acesas. Numa ditadura perfeita, onde ela tem poderes ilimitados, Turandot ordenou que ninguém durma esta noite em Pequim: todos devem ajudar a descobrir o nome do Príncipe Desconhecido.

É então que o príncipe canta a celebérrima ária Nessun Dorma (Que ninguém durma).

(Nessun Dorma com os maravilhosos tenores:
Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, )

Os três ministros Ping, Pang e Pong tentam fazer de tudo para convencer o jovem a desistir, oferecendo-lhe lindas mulheres, riquezas, e um visto de saída da China - mas tudo em vão. De repente, alguém se lembra de que viu o jovem príncipe em companhia de Liù e do velho. Turandot ordena que Liù seja torturada, até que revele o nome do príncipe; ela morre sem dizer uma palavra, numa das mortes mais comoventes de todas as óperas. O dia nasce com o velho chorando sobre o cadáver de Liù. "Liù, bondade! Liù, doçura! Liù, poesia!". Calaf, o principe desconhecido vê Turandot, ela pede que todos saiam e tem um duo com ele (este já composto por Franco Alfano)em que ela se revela humilde. Calaf conta qual é o seu nome, e os guardas chegam; Turandot restaura seu orgulho, mas na hora de falar qual é o nome de Calaf ela fala que o nome dele é "Amor".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Turandot

Nessun dorma!
Nessun dorma!
Tu pure, o Principessa,
Nella tua fredda stanza guardi le stelle,
Che tremano d`amore e di speranza!

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Ultimo Discurso de Budha - Breve Parinirvana Sutra


Teyata Om Muni Muni Maha Muni Shakyamuni Soha !!



NÃO ACREDITE EM TUDO
Não ponhas tua fé em tradições, mesmo que tenham sido aceitas por muitas gerações e em muitos países.
Não creias em algo porque muitos o repetem.
Não aceites algo baseando-te na autoridade de sábios antigos, nem com base nas afirmações que encontreis nos livros.
Não creias em nada mesmo que as probabilidades estejam a favor.
Não creias em nada que tenhas imaginado, pensando que um deus te inspirou.
Não creias em nada baseando-te na autoridade de mestres ou sacerdotes.
Depois de haver examinado algo, crê no que tenhas comprovado por ti mesmo, achado razoável e que esteja em conformidade com o teu bem estar e das demais pessoas.
Kalama Sutra. Anguttara Nikaya I, 188-93.


BREVE PARINIRVANA SUTRA

O ÚLTIMO DISCURSO DE BUDHA



Quando Xaquiamuni Budha girou pela primeira vez a Roda do Dharma, Ajnata-kaundinya despertou e, em seu último discurso do Dharma, foi Subhadra quem se iluminou. Todos que deveriam ser despertos assim o foram.

Entre duas árvores sala, Budha estava quase entrando em Parinirvana. Era o meio de uma noite calma, sem sons. Para o bem de todos os seus discípulos, Xaquiamuni Budha fez uma breve explanação dos fundamentos do Dharma:

Oh, Monges! Depois de minha morte respeitem e compartilhem os Preceitos.

Manter os Preceitos é como encontrar uma luz na escuridão, é como uma pessoa pobre encontrar um grande tesouro. Saibam que os Preceitos são seu mestre. Manter os Preceitos é Me manter sempre vivo neste mundo. Aqueles que mantém os Preceitos não devem se dedicar ao comércio e não devem possuir campos e moradias, não devem governar sobre outras pessoas, nem manter servos ou animais.

Devem evitar manter plantações e acumular bens, da mesma forma que evitariam uma fogueira. Não devem cortar grama nem árvores, arar o solo ou cavar a terra.

Misturar remédios, ler a sorte, observar a posição das estrelas, predizer as fases da lua, calcular calendários e dias auspiciosos, são coisas que não devem ser feitas.

Controlem seus corpos, comam nas horas certas, se conduzam em pureza. Não se envolvam nos afazeres mundanos, nem ajam como mensageiros.

Não façam mágicas, misturem poções e nem se tornem íntimos com pessoas eminentes.

Tudo isso não deve ser feito.

Com a mente clara e correta atenção, vocês devem procurar o despertar. Vocês não devem esconder seus erros, exprimir pontos de vista errôneos, nem liderar pessoas erradamente.

Ao receber as quatro espécies de ofertas, saibam a quantia correta e fiquem satisfeitos. Não acumulem ofertas.
Agora vou falar, brevemente, em como proteger os Preceitos.

Os preceitos são a base da verdadeira libertação, por isso são chamados de Pratimoksa – o que leva a libertação. A confiança nos Preceitos faz surgir todos os dhyanas e a sabedoria da extinção do sofrimento.

Por esta razão, Oh Monges!, vocês devem manter os Preceitos e não os devem infringir. Se vocês mantiverem os Preceitos obterão o Bem. Se não os mantiverem, nenhum mérito surgirá. Assim saibam que os Preceitos são o local onde vive a equanimidade, que é o mérito fundamental.

Oh, Monges! Vocês que mantém os Preceitos devem controlar os cinco sentidos.

Não deixem os sentidos desprotegidos, permitindo que os cinco desejos penetrem. É como o vaqueiro que brande sua vara para evitar que o gado invada a plantação de outra pessoa. Se há indulgência nos cinco sentidos os cinco desejos ficarão à solta e vocês serão incapazes de controlá-los.

Novamente repito, é como um cavalo bravo que não pode ser controlado pelo chicote e cai numa vala levando seu cavaleiro com ele. Da mesma forma, o sofrimento de ser ferido por um ladrão, dura apenas uma vida; enquanto que o mal causado pelos cinco sentidos, se estende através de muitas vidas criando grande dor.

Não negligenciem a atenção. É por esta razão que a pessoa sábia controla seus sentidos, não os segue, mantendo-os guardados, não permitindo que vagueiem ao léu e mesmo quando os libertam, logo se extinguem.

A mestra dos cinco sentidos é a mente. Por esta razão vocês devem controlar suas mentes. A mente deve ser mais temida que as cobras venenosas, bestas selvagens ou assaltantes vingadores, mesmo grandes incêndios e destrutivas enchentes não podem a ela ser comparadas. É como uma pessoa que, correndo celeremente com uma jarra de mel nas mãos, olhe apenas para o mel e não veja um grande buraco.
Repito, é como um elefante enlouquecido sem uma corrente ou um macaco pulando nas árvores, ambos são muito difíceis de se controlar. Dominem a mente, imediatamente, e não a deixem desembestar. Se cederem, perderão a boa sorte de terem nascido humanos.

Se mantiverem a mente focalizada, não haverá algo que não possam obter. Por esta razão, Monges, vocês devem se esforçar com muita diligência, para manter a mente sobre controle.

Oh, Monges! Quando receberem comida e bebida, vocês devem considerá-las como remédio.

Não peguem mais daquilo que gostam e menos daquilo que desgostam. Apenas aceitem o suficiente para manter suas vidas e evitar a fome e a sede. Assim como a abelha apanha apenas a doçura das flores sem lhes manchar a cor ou tirar sua fragrância, assim vocês devem fazer. Aceitem apenas o suficiente das ofertas para evitar tristezas. Não peçam muito para não destruir boas intenções. Isto pode ser comparado com a pessoa sábia que conhece a força de seu touro e não o sobrecarrega.

Oh, Monges! Durante o dia, pratiquem com determinação o bom ensinamento.

Não percam tempo. Da mesma forma, à noite e pela manhã antes do amanhecer, não negligenciem seus esforços. No meio da noite, recitem os Sutras. Assim vocês devem ordenar suas vidas. Não deixem que a vida passe à toa, sem obter a realização, apenas dormindo.

Vocês devem se lembrar que o mundo todo está sendo consumido pelo fogo da impermanência. Rapidamente procurem pelo despertar e não pelo dormir. As paixões estão sempre prontas para matar uma pessoa, mais do que um inimigo mortal. Como vocês podem ficar dormindo e abaixar a guarda?

As paixões são como uma cobra venenosa dormindo em sua mente. Não são diferentes de uma cobra negra dormindo em seu quarto, espante-a com a ponta aguda dos Preceitos. Só depois que a cobra sair, vocês poderão dormir tranqüilos. Se dormirem enquanto a cobra ainda está lá, vocês estarão agindo sem consciência.
Entre as coisas refinadas, a tecedura da consciência é a melhor. A consciência é como uma agulha de ferro com a qual se pinçam os enganos. Assim sendo, Monges, sempre sigam sua consciência e não a ignorem nem por um só momento. Esquecendo-se da consciência, perdem-se todos os méritos. Aqueles que conhecem o pudor, sabem do bom ensinamento. Aqueles que não conhecem o pudor, não são diferentes de bestas selvagens.

Oh, Monges! Se alguém vier desmembrá-los, articulação por articulação, vocês devem controlar a mente e não permitir que a raiva surja.

Da mesma forma vocês devem proteger suas bocas, caso contrário, palavras más sairão delas. Se vocês permitirem pensamentos de raiva, vocês estarão obstruindo seus próprios caminhos e perdendo o benefício de seus méritos.

A paciência é uma virtude que nem mesmo mantendo os Preceitos, nem as práticas ascéticas podem igualar. As pessoas que praticam a paciência, podem verdadeiramente ser chamadas de poderosas, de seres superiores.

Aquelas pessoas que não podem aceitar o veneno do abuso com paciência e alegria, como se estivessem bebendo o néctar celestial, não podem ser chamadas de pessoas que adentraram o Caminho. Por que? Porque os efeitos maléficos da raiva quebram todos os bons ensinamentos e destroem o bom nome, de forma que, tanto no presente como no futuro, as pessoas não sentirão prazer ao vê-los.

Vocês devem saber que a raiva é mais poderosa que um fogo ardente.

Sempre se protejam e não permitam que a raiva penetre. Nenhum ladrão rouba mais méritos do que a raiva. Leigos, cheios de desejos, sem praticar o Caminho, não conhecem os ensinamentos para se poderem se controlar, mesmo a raiva não é desculpável neles. Aqueles que deixaram o lar e praticam o Caminho do não desejo nunca devem permitir que a raiva surja, assim como o trovão e o raio não ocorrem num céu suave e claro.

Oh, Monges! Lembrem-se de suas cabeças raspadas.

Vocês já abandonaram a ornamentação, usam roupas simples e praticam a mendicância.
Vejam-se assim: se o orgulho surgir, vocês devem extingui-lo rapidamente. Cultivar o orgulho não é apropriado mesmo para aqueles vivendo na vida comum, quanto mais para aqueles que deixaram seus lares para entrar no Caminho, aqueles que controlam seu corpo e praticam o esmolar para obter a libertação.

Oh, Monges! Uma mente desonesta é incompatível com o Caminho.

Por esta razão vocês devem cultivar honestidade. Vocês devem saber que desonestidade só produz enganos. Alguém que entrou o Caminho, logo, que não vive neste plano. É por isso, Monges, que vocês devem ter a mente correta e agir baseados na honestidade.

Oh, Monges! Vocês devem saber que uma pessoa de muitos desejos, procurando grandiosidade apenas para si mesmo, também sofre muito.

A pessoa de poucos desejos, nem procurando e nem desejando nada, não tem este pesar, esta é a simples razão pela qual vocês devem praticar o mínimo de desejos. Mais do que isso: devem praticar poucos desejos porque é a fonte de todos os bons méritos. Uma pessoa de poucos desejos não manipula a mente dos outros através da desonestidade, nem é levado pelos seis órgãos dos sentidos.

A mente daqueles que praticam poucos desejos é tranqüila e não tem preocupações. Seja o que tiver é suficiente, nunca há insuficiência. Para aqueles que tem poucos desejos, o Nirvana existe. Esta é a prática de poucos desejos.

Oh, Monges! Se vocês querem se libertar de todo o sofrimento, vocês devem conhecer o contentamento.

O estado de contentamento é a condição de prosperidade e bem estar.

Aquele que está contente fica feliz mesmo quando tem apenas a terra para se deitar sobre ela. Aquele que não fica contente, está insatisfeito mesmo em palácios celestiais.

Quem não conhece o contentamento é pobre, apesar de todas as riquezas que possa ter.

Alguém que é contente é rico, não importando quão pobre possa ser. Quem não conhece o contentamento é sempre arrastado por desejos provocados pelos seis sentidos e deve ser apiedado por quem é contente.
Esta é a prática do contentamento.

Oh, Monges! Se vocês procuram pela benção da tranqüilidade irremovível, vocês devem abandonar o tumulto da sociedade e viverem a sós em um retiro quieto.

Aqueles que vivem em solidão, são honrados por Indra e por todos os deuses. Por isso vocês devem deixar tanto as suas como as outras comunidades e viverem a sós em locais remotos, com a intenção de extinguir a origem do sofrimento. Aqueles que gostam de companhia, recebem os sofrimentos de estar em companhia, assim como: quando um bando de pássaros de junta para viver em uma árvore, ela corre o risco de murchar.

Se estiverem apegados ao mundo, irão afundar no sofrimento comum, assim como um velho elefante se afoga na areia movediça e dali não consegue sair. Tal é a prática do isolamento.

Oh, Monges! Se vocês diligentemente praticarem o esforço correto, nada será difícil.

Por isso vocês devem diligentemente praticar o esforço correto, assim como o constante gotejar da água fura uma rocha. Se a mente do praticante for inclinada à indolência, será como alguém que esfrega a madeira para iniciar o fogo e descansa antes da madeira ficar quente. Mesmo que esta pessoa queira o fogo, a faísca não acontece. Tal é a prática do esforço correto.

Oh, Monges! Não percam a atenção quando procurarem por um mestre ou por um amigo.

Se vocês não perderem a atenção, as paixões não poderão entrar. Por isso, Monges, sempre mantenham a atenção. Se perderem a atenção, perderão todo o mérito. Se o poder de sua atenção for forte, você não poderá ser ferido pelos desejos provocados pelos sentidos, mesmo que surjam. Da mesma maneira que, se entrar numa batalha usando uma armadura, não terá o que temer. Esta é a prática de não perder a atenção.
Oh, Monges! Se unificarem suas mentes, sua mente estará concentrada.

Quando a mente estiver concentrada, vocês poderão compreender as marcas do surgir e do extinguir de todas as coisas no mundo. Por isso, Monges, vocês devem sempre e diligentemente praticar a concentração. Se obtiverem concentração, sua mente não ficará dispersa.

Assim como numa casa, que para se conservar água mantém-se as barragens em bom estado, o praticante; para o bem da água da sabedoria, deve concentrar-se em meditação e não permitir que esta vaze. Tal é a prática da concentração.

Oh, Monges! Se vocês tiverem sabedoria não terão ganância.

Sempre se questionem e não permitam que a sabedoria se perca. Então, através dos Meus ensinamentos vocês poderão se libertar. Se assim não o fizerem não serão considerados seguidores do Caminho, nem mesmo leigos serão.

Em verdade, a sabedoria é um navio forte que os leva através do oceano da velhice, doença e morte. Repito, é uma grande lâmpada iluminando a escuridão da ignorância.

É um remédio maravilhoso para todas as doenças. É um machado afiado que corta a árvore das paixões. Por isso, Monges, através do ouvir, do pensar e do praticar, vocês devem aumentar sempre a sabedoria. Se vocês possuírem o brilho da sabedoria poderão ver claramente, mesmo com seus olhos de carne. Tal é a sabedoria.


Oh, Monges! Se vocês se engajarem de forma leviana em conversas inúteis suas mentes ficarão confusas.

Mesmo que tenham abandonado sua casa, não poderão obter a libertação. Por isso, Monges, devem imediatamente abandonar pensamentos confusos e conversas desnecessárias. Se quiserem obter a benção de Nirvana, vocês devem apenas extinguir o mal de falar à toa. Tal é a prática de evitar a fala fútil.

Oh, Monges! De todas atividades meritórias vocês devem, de todo coração, concentrarem-se em afastar qualquer forma de indulgência pessoal, assim como vocês evitariam um ladrão.

O benéfico Ensinamento de Grande Compaixão do Mais Honrado se completou.
Monges, vocês devem se esforçar diligentemente na prática do Ensinamento. Tanto se viverem nas montanhas ou à beira d'água, sob uma árvore num local remoto ou num aposento sossegado, coloquem sua atenção no Ensinamento, com esforço correto.

Se morrerem em vão, sem terem feito nada, vocês se arrependerão no futuro.

Sou como um bom médico que, reconhecendo uma doença, prescreve a receita apropriada. Se o remédio é tomado ou não, já não é de responsabilidade do médico. Novamente digo: sou como um bom guia que mostra às pessoas o melhor caminho. Se elas não o seguirem, sabendo de sua existência, não é culpa do guia.

Oh, Monges! Se tiverem qualquer dúvida sobre as Quatro Nobres Verdades, perguntem imediatamente. Não guardem as dúvidas sem procurarem resolvê-las.

Por três vezes, o mais Honrado, exortou os Monges dessa forma. Mas ninguém na assembléia falou, pois ninguém tinha dúvidas.

Nesse momento Anuruddha, percebendo a mente dos que estavam ali reunidos, disse a Buda:

- Honrado do Mundo!

Todos estes Monges tem certeza e não tem dúvidas em relação as Quatro Nobres Verdades. Se, nesta assembléia, houver alguém que ainda não completou sua tarefa ao ver a passagem de Buda, eles se lamentarão. Mesmo aqueles que apenas agora penetraram o Ensinamento, obterão o despertar ao ouvir as palavras de Buda.

Assim como na escuridão da noite, um raio ilumina a estrada. Se houver aqueles que já tenham cumprido suas tarefas e cruzado o mar de sofrimento, eles terão apenas este pensamento: Quão rápida é a passagem do Mais Honrado do Mundo!

Quando Anuruddha falou estas palavras, todos na assembléia claramente compreenderam o significado das Quatro Nobres Verdades. Mas o Honrado do Mundo, movido por sua infinita Compaixão, querendo que todos na grande assembléia se tornassem mais fortes, ainda falou assim:
Oh, Monges! Não se lamentem. Mesmo que Eu vivesse no mundo, tanto quanto um kalpa, nosso estar juntos um dia acabaria.

Não existe encontro sem despedida.

O Ensinamento que beneficia tanto a si próprio como aos outros, se completou.
Mesmo que eu vivesse mais, não haveria nada a adicionar ao Ensinamento.

Aqueles que não foram despertados possuem condições para obter o despertar.

Se todos os Meus discípulos, de geração em geração, a partir de agora, praticarem o Ensinamento, o Corpo do Dharma do Tathagata existirá para sempre e nunca será destruído.

Logo, saibam que tudo no mundo é impermanente: o que se junta inevitavelmente se separa.

Não se preocupem, pois esta é a natureza da vida.

Diligentemente, pratiquem com esforço correto e procurem a libertação imediatamente.

Com a luz da sabedoria, destruam a escuridão da ignorância.

Nada é seguro.

Tudo nessa vida é precário.

Agora obtenho o Parinirvana. É como se livrar de uma doença maléfica. Esta coisa que descartamos e que chamamos de corpo, está afogado no mar do nascimento, velhice, doença e morte. Como poderia haver alguma pessoa sábia que não se alegrasse em se desfazer disso?

Oh, Monges! Vocês devem sempre, de todo o coração, procurar o Caminho da Libertação.

Todas as coisas no mundo, tanto as que se movem como as que não se movem, são caracterizadas por instabilidade e desaparecimento.

Parem, agora!

Não falem!

O tempo passa.

Atravesso.

Este é o Meu Ensinamento final.


Tradução do inglês para o português de Monja Coen – São Paulo, Brasil, fevereiro de 2002.
Tradução do japonês para o inglês de Kazuaki Tanashi e Jonathan Condit – São Francisco, EUA, Maio de 1980.
Teyata Muni Muni Maha Muni Shakyamuni Soha

domingo, 1 de abril de 2012

Tempo da Delicadeza R.A. - O outono da vida by Rose Colaneri


Imagem de Mihai Criste


Esta faltando…tempo…TEMPO PARA AMAR VERDADEIRAMENTE!

Alem do tempo da delicadeza, falta o tempo do respeito, da lealdade, da sinceridade, nao existe tempo para o AMOR...

o que se ve muito nos relacionamentos hoje é a busca do engrandecimento do ego.. da quantidade,..”peguei aquela(s)”, “transei com aquele(s)”,

nao ha mais sentimentos, nem vontade para conviver, conhecer melhor uma pessoa,

falta tolerancia, falta compreensao de que somos diferentes em muitas coisas mas,

igualmente queremos amar e ser amados,

respeitar e sermos respeitados…

queremos viver um pouco de alegria nesse mundo tao castigado de crueldades..

um dia nossa luz se apagara para sempre e o que nao foi vivido, nunca o sera…

Ha tantas pessoas maduras agindo como adolescentes sem responsabilidade ou experiencia,

nao se importando com as consequencias de seus atos na vida do outro…que pode sofrer demais,

muitas vezes pode perder o rumo de sua vida apos um relacionamento onde nao houve respeito com seus sentimentos…

a vida é fragil demais,

nunca saberemos o quanto o outro ficou ferido e magoado,

nem como reage frente a essa liquidez de contatos..


A fila anda !!


Não!!!


Nao ha sequer tempo mais para formar fila!!!


Familias sao destruidas pela falta de respeito nos relacionamentos… é muito triste isso…quanto desamor!!!

é preciso ter certeza antes de dizer “eu te amo”,

antes de prometer estar sempre ao lado de uma pessoa,

antes de fazer o outro acreditar que é amado

esta faltando mais responsabilidade para com o que se diz, com o que se sente,

responsabilidade com as mudancas ocasionadas quando se entra na vida de uma outra pessoa,

porque acontecem mudancas que podem afetar muito e negativamente o outro ser.

Respeito, responsabilidade…muitos passam anos desrespeitando achando que isso é normal…nada demais!!

O carater de uma pessoa se revela em suas ações e nao em suas palavras!


Hoje ficou tao banal o “EU TE AMO”,virou slogan de sedução, de atrativo pessoal no mundo virtual…

e enaltecimento de uma persona nao verdadeira..inexistente..

a todo momento se fala eu te amo, como se para isso bastasse somente ser adicionado em suas pagina sociais …

quanta banalizacao, decadencia de um sentimento nobre!


O tempo passa, as feridas sangram e as pessoas vao se afastando daquilo que buscaram por toda uma vida:

Ser feliz ao lado de quem ama!!

Cuidado com as marcas que vc anda deixando nas pessoas que passam por sua vida…

E preciso amar [DE VERDADE] as pessoas como se nao houvesse amanha”..

sim, o amanha é incerto, a impermanencia é muitas vezes cruel,

o que nao foi feito, o que nao foi dito,as desculpas que nao foram pedidas,

amores que nao foram declarados e vividos não terao mais seu tempo terreno..

as vidas se vao…muito rapido…

e o vazio aumenta…muito!

E doi………………………………..


“Uma pessoa nao é um doce que vc come, enjoa e empurra o prato” A.D.


Delicadeza so existe no AMOR e no RESPEITO !


Quem sabe as pessoas maduras emocionalmente e espiritualmente ainda se encontrem um dia no outono da vida.

para aproveitar ao maximo o tempo da delicadeza…

o tempo do amor maduro,

do amor respeito,

do amor lealdade,

do amor dedicacao,

do amor dialogo,

do amor companhia,

do amor que compartilha risos e prantos, alegrias e tristezas, fracassos e conquistas,

do amor que supera dificuldades e diferenças,

do AMOR que so quer…AMAR!!


Rose Colaneri


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente…

*Chico Buarque*



Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”, diz o texto sagrado.
O amor também tem os seus tempos e ele muda como mudam as estações.
Nos países frios, a primavera é o tempo da pressa.
Os bulbos, que por meses haviam hibernado sob o gelo, repentinamente despertam do seu sono,
rompem da noite para o dia a camada de neve que os cobria e exibem, sem o menor pudor,
os seus órgãos sexuais coloridos e perfumados, suas flores.
”Que lindas…”, dizemos. Ignoramos que aquela é uma beleza apressada.
A primavera é curta. Outro inverno virá.
É preciso espalhar o sêmen com urgência, para garantir a continuidade da vida.
Por isso se exibem assim, em sua nudez colorida e perfumada, para atrair os parceiros do amor.
Se as plantas pensassem, teriam os mesmos pensamentos que têm os jovens quando neles desperta o sexo, em todo o seu furor de realizar-se
É só isto que importa: o coito. Passado o êxtase. Vai-se o interesse, fuma-se um cigarro, vira-se para o lado…


O verão é o tempo em que a fúria reprodutiva já se esgotou. Tempo maduro, tempo do trabalho dos filhos, das rotinas domésticas.
Os mesmos olhos que se excitavam ao contemplar o corpo nu da pessoa amada já não se excitam.
Já não sorriem nem têm palavras poéticas a dizer sobre ele. Há uma rotina sexual a ser cumprida.
Vai-se o encantamento, os olhos e as mãos se cansam da mesmice e começam a procurar outros corpos
e vem a saudade da juventude que já passou.
Cumprido o ato, vem o silêncio.
O outono é a estação de uma nova descoberta. Não há urgência. Nenhuma obrigação.
A natureza está tranqüila.
Na adolescência qualquer mulher servia, porque o sexo era comandado pelas pressões vulcânicas dos hormônios e pelos genitais.
Agora o que excita é o rosto da pessoa amada.
O sexo deixa de ser movido pela bioquímica que circula no sangue e passa a ser movido pela beleza.
O amor se torna uma experiência estética.
E o que os amantes outonais mais desejam não são os fogos de artifício do orgasmo,
mas aquela voz que diz: “Como é bom que você exista…”


O outono é o tempo da tranqüilidade. É bom estar juntos, de mãos dadas, sem fazer nada.
É bom acariciar o cabelo da amada…
Esta é a grande queixa das mulheres – que para os homens a intimidade é sempre preparatória de uma transa.
Talvez porque se sintam obrigados a provar que ainda são homens. O que as mulheres desejam não é o prazer, é felicidade.
O outono é o tempo do amor feliz.
O Chico escreveu sobre esse tempo e lhe deu o nome de “tempo da delicadeza”, na canção “Todo o sentimento”.

“Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente…”
Sim, preciso não dormir, preciso não morrer, porque há muito amor ainda não realizado.

“Vem-lhe então a memória do amor que, por descuido, não se realizou, e via em busca da sua recuperação:
Pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez…”
Esse verso me comove de maneira especial. Pensando no meu desajeito, na minha desatenção, vou lembrando das coisas que derrubei,
das palavras que nao ouvi, das flores que pisei. E dá uma vontade de fazer o tempo voltar para poder refazer o que foi desfeito,
para recolher todo o sentimento e colocá-lo no corpo outra vez…


Aí ele vai mansamente dizendo as palavras que o amor deve saber dizer, palavras que só existem no “tempo da delicadeza”.
“Prometo te querer até o amor cair doente, doente…”
Por isso, por causa desse tempo misterioso, é preciso amar cuidadosamente com o olhar,
com os ouvidos, com a mão que tateia para não ferir… enquanto há tempo.

****
Lembrei-me do amor de Florentino Ariza por Fermina Daza, de o Amor nos tempos do cólera.
Tiveram de esperar 53 anos e passaram o resto da vida navegando no rio da delicadeza.

*Rubem Alves*