domingo, 12 de abril de 2015

O Outono - Rubem Alves - O agora - Rose Colaneri

Art by Hopare

O agora...

É assim...quem pensa que tem todo o tempo do mundo, vive maya intensamente..nada esta em nossas mãos..nem o tempo, nem a vida..
nada espera por nos...não ha garantias de nada, nem da  primavera, nem do outono, nem do momento certo para fazer aquilo que deve ser feito...

Nada nos espera!

Carpe Diem!

Hoje!

Agora!

Se preciso for, reajuste suas velas, em qualquer estacão da vida há muitos recomeços...tente, tente mais uma vez...nem todos os mares são bravos, nem todos os ventos são fortes demais...se está no outono da vida, viva a calmaria do crepúsculo,  que só os sensíveis sabem aproveitar!! Só os sensíveis....

Seja forte, serena(o)...mantenha esperança...nunca  pise em ninguém, não magoe pessoas, não machuque corações, não engane, e
não permita que te enganem, que te roubem o brilho do olhar...

Não permita que suas marcas na vida alheia sejam de dor, desamor...

Conserte seus erros hoje, pois  pode não haver mais tempo... 
as pessoas com quem errou, podem não mais estar vivas...

O tempo não conserta tudo...pelo contrário...ele piora tudo!

Viva como se não houvesse amanhã, pois pode não haver mesmo...

Reconheça a fragilidade da vida e do momento...bolhas de sabão...

Não perca seu tempo com coisas e pessoas que não  fazem  vc sorrir...

A lei da vida  é : colhemos o que  plantamos!

Valorize seus sentimentos, voe alto, mas saiba aterrizar com firmeza....

Não permaneça em relações sem amor,  é a maior hipocrisia que existe...

Cultive relações verdadeiras, não se engane com mundo virtual onde todos são felizes e poderosos...

Olhos nos olhos é muito importante..saiba ver a honestidade e a verdade neles,

Se não querem estar ao seu lado espontaneamente, se te ignoram ou te abandonam...não te amam...isso é sempre certo...

Quem ama, sempre..sempre estará ao teu lado, mesmo que esteja com problemas também...

Não alimente relacionamentos com pessoas egoístas,  sempre nos machucam...

Os egoístas acabam suas vidas sempre sozinhos...nunca seja um!

Não alimente qualquer tipo de preconceito, isso corrompe sua alma...

Jamais abandone a racionalidade, muito menos as emoções do coração...

Cuide de seus sentimentos, cuide para não ferir o coração de ninguém...

O mundo dá voltas...
e pode não haver tempo para consertar algumas falhas...
o peso disso atrasa sua vida!
Pode não haver tempo para viver momentos únicos com pessoas únicas...

Ame  e faça o que tem que ser feito, como se não houvesse amanhã...

porque não há...não há

Carpe Diem!

Rose Colaneri


Do meu, para sempre amado, Rubem Alves...


O Outono


Foi-se, finalmente, o verão, não sem antes, fazer algumas grosserias e malcriações: trovejou, relampejou, choveu, inundou. Não queria ir embora. Compreendo. Queria ficar para ver e namorar o outono, que é muito mais bonito que ele. Verão, quarentão: recusava-se a aceitar os sinais da passagem do tempo. Não queria dizer adeus. Gostaria de ficar. A vida é tão boa! Mas o tempo é implacável. O Sol disse que a hora do seu adeus havia chegado. Foi se inclinando no céu, suas viagens cada vez mais curtas, as noites mais longas, o crepúsculo chegando mais cedo, as manhãs chegando mais tarde. O vento antes convidava a que se tirasse a camisa. Agora ele causa arrepios e chama os agasalhos das gavetas onde dormiam. O céu fica mais azul. Deve ter sido numa tarde de outono que os Beatles compuseram aquela balada que canta:

"...because the Sky is blue it makes me cry...” 

E o verde das plantas fica mais verde. O Verão é inquieto. Tudo nele convida a sair e a agir. O Outono é tranqüilo, introspectivo, convida ao recolhimento e à meditação. É um convite ao pensamento.

Gosto especialmente das suas tardes. O verão é a estação do meio-dia. O outono vive mais ao sol que se põe. E como são belos os dois, O Outono e as tardes. Há uma pitada de tristeza misturada no ar. “O que é bonito enche os olhos de lágrimas”, diz a Adélia. Os dois se parecem porque os dois estão cheios de adeus.

A tarde

... é este ssossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.
É esta curva dos pombos, rente aos telhados,
este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas,
ainda sem luz...

Na cidade onde eu vivi, no interior de Minas, ao crepúsculo se tocava a Ave Maria, e era como se toda a natureza parasse e rezasse. Eu gostava de ficar olhando para as árvores: havia uma imobilidade absoluta no ar. Nem um único tremor perturbava a tranquilidade pensativa das folhas. E as nuvens ao poente se coloriam de verde claro, passando pelos, amarelos, laranjas, e vermelhos, até o roxo, que se preparava para desaparecer na escuridão. Tudo belo. Tudo triste. E pensamos pensamentos diferentes daqueles de durante o dia. 

Para Wordsworth,
as nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe
ganham seu colorido triste
de olhos que têm atentamente
observado a mortalidade dos homens
.

O crepúsculo e o Outono nos fazem retornar à nossa verdade. Dizem o que somos. Metaforas de nós mesmos, eles nos fazem lembrar que somos seres crepusculares, outonais. Também somos belos e tristes... Como o Verão quarentão também nós não queremos partir... 

Paul Bouget nos diz:

Quando, ao sol que se põe, os rios ficam cor de rosa
e um leve tremor percorre os campos de trigo,
parece das coisas surgir uma suplica de felicidade
que sobe até o coração perturbado.
Uma súplica de degustar o encanto de se estar no mundo
enquanto se é jovem e a noite é bela.
Pois nós vamos,
como se vai esta onda:
Ela, para o mar,
nós para a sepultura.


Quem quer que pare para ouvir as vozes do Outono e da tarde perceberá que, dentro da sua beleza, nos falam a nossa vida e a nossa morte. Nada de mórbido. Só podem viver bem aqueles que aprendem a sabedoria que a morte ensina.
Foi assim que o professor de literatura, no filme A sociedade dos poetas mortos, iniciou o aprendizado dos seus alunos. Vocês se lembram?

 Levou-os até uma fotografia onde se encontravam, imobilizadas sobre o papel, pessoas. Agora todas estavam mortas. 

Também nós, um dia. 

A lição da poesia é que é preciso contemplar o crepúsculo no horizonte para se sentir a beleza incomparável do momento... Cada momento é único. Não há tempo para brincadeiras. Carpe diem: colha o dia, como algo que nunca mais se repetirá, como quem colhe o crepúsculo, “antes que se quebre a corrente de prata, e se despedace a taça de ouro...” Beba cada momento até as últimas gotas. É preciso olhar para o Abismo face a face, para se compreender que o Outono já chegou e que a tarde já começou. Cada momento é crepuscular. Cada momento é outonal. Sua beleza anuncia seu iminente mergulho no horizonte.

Quando o sol está a pino estas ideias não nos perturbam. Tudo parece estar bem. Há muito tempo ainda. As rotinas do trabalho ocultam a nossa verdade. Mas elas não podem impedir nem que a tarde chegue, com suas cores de adeus, e nem que o outono chegue, anunciando a proximidade do Inverno. E eles nos forçam a ter pensamentos diferentes, pensamentos de solidão. São mestres silenciosos. Se prestarmos atenção e ouvirmos o que nos dizem, ficaremos sábios. Porque sabedoria é isto: contemplar o abismo, sem ser destruído por ele. Nas palavras de Rilke, “conter a morte inteira, docemente, sem nos tornar amargos”.

 *Rubem Alves*


 Porque sabedoria é isto: 
contemplar o abismo, sem ser 
destruído por ele...

 “conter a morte inteira, docemente, sem nos tornar amargos".

Namaste!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Lakmé - Ópera Imaginaire de Léo Delibes




Lakmé 




 Ópera em 3 atos de  Léo Delibes (1836-1891), que teve sua estréia em 14 de abril de 1883, em Paris

A historia se passa na Índia durante um período de domínio dos ingleses. Os personagens principais são : Lakmé, filha de um importante sacerdote brâmane - Nilakantha, e seus fiéis criados Mallika e Hadji, os soldados Frederik e Gerard, além de Ellen filha do governador, amiga de Gerard e Rose, amiga de Ellen .

Primeiro ato:  o cenário é um belo jardim, repleto de magnificas flores de cores e formas exuberantes, de perfumes suaves, belezas dignas do paraiso,  onde os fiéis de Brahma, deus hindu, liderados por Nilakantha, se reúnem para seus cultos de forma secreta, pois eram proibidos de suas práticas espirituais livres pelos britânicos. Lakmé com sua doce voz, entoa uma oração ao final do culto aos deuses Durga, Shiva e Ganesh e seu pai Nilakantha parte para a cidade afim de cuidar dos preparativos de uma grande festa que acontecerá no dia seguinte. Lakmé permanece no jardim cuidando amorosamente das flores com sua criada que lhe prepara  um banho...e nesse momento cantam o famoso Dueto das Flores (vídeo anexo ao texto),  depois pegam um barco e vão rio acima.

As práticas espirituais dos hindus com toda sua "magia" causavam muita curiosidade aos soldados ingleses e eles invadem o jardim para tentar saber o que havia ali e o que faziam .  Frederik os adverte para não tocarem nas flores pois sabia que algumas delas eram venenosas e aconselha a todos serem muito prudentes, pois vivia ali, isolada do mundo,  uma sacerdotisa sagrada considerada quase uma deusa . Quando se preparam para ir embora, uma das moças percebe deixadas  num banco, um amontoado de belas joias. Isso atrai muito a curiosidade de Gerard que avisa aos outros que  não irá com eles, e que vai ficar no local com o intuito de desenhar as tais joias. Ao admira-las, Gerard imagina como seria a mulher que as deixara ali, tão displicentemente, e nesse momento ouve barulho de pessoas chegando e esconde-se.

Chegam Lakmé e Mallika do banho no rio, e a sacerdotisa percebe a presença do soldado, se assusta, mas nada diz aos criados e pede para que eles saiam e tragam de volta seu pai, que esta na cidade. Enquanto isso, ela se aproxima de Gerard, seus olhos brilham ao encontrar os dele, um encantamento imediato acontece...mas ela sabe que ele não pode estar ali  no local sagrado e proibido para ele, e avisa que ele deve ir embora,  e que jamais deve dizer a quem quer que seja que a tinha visto, pois assim sua vida correria perigo. Mas Gerard fica  perdidamente apaixonado por ela e lhe confessa  seu amor. Nesse instante, o clima romântico é quebrado ao ouvirem  passos, era seu pai chegando, Lakmé aflita, pede que ele saia imediatamente, mas mesmo assim seu pai percebe que o local sagrado havia sido violado e furioso, promete matar  o estrangeiro que o havia feito. Nilakanthaera um homem bom mas  possuía muito ódio dos ingleses por oprimirem tanto seu povo.

Segundo ato Na praça da cidade, perto do local sagrado está sendo preparada uma grande festa. No local se concentram muitas pessoas pois ali está o mercado do povo. Chegam o soldado Gerard e Ellen agora sua noiva...logo em seguida Frederik aparece e avisa Gerard que no dia seguinte eles deverão partir com o regimento para perseguirem os rebeldes. Chegam também, Lakmé e seu pai disfarçados de mendigos. Ela tenta convencer seu pai de que o jovem inglês não sabia o que estava fazendo, mas o pai nao desiste de seu intento de encontrar o invasor do jardim sagrado e  com intuito de fazer com que o tal se revele,  obriga Lakmé a cantar uma cancão que fala da historia da filha de um pária  que socorre um rapaz perdido num bosque e esse rapaz era nada menos que Vishnu, filho do deus Brahma...
mas, não aparece ninguém... 
Então, Lakmé avista o soldado, se assusta e desmaia nos braços do pai.
Nilakantha reconhece o oficial, mas naquele momento nada pode fazer, um grupo de soldados invade a praça mas ele promete se vingar naquela mesma noite e vai embora .

O fiel servo de Lakmé promete ajudá-la e assim ela e Gerard se encontram,  e ela acaba por confessar seu amor por ele também, mesmo sendo adoradores de deuses diferentes e propõe viverem juntos num local onde a sacerdotisa mantinha uma cabana secreta. Gerard mal consegue conter a felicidade estampada em sua face e seu amigo Frederik acaba por perceber e tenta chamar-lhe a razão, já que no dia seguinte irão embora e ele esquecerá tudo isso. Aproxima-se uma procissão de brâmanes e Nilakantha junto com outros homens aproveitando o momento, conseguem capturar Gerard e um del seus homens  o apunhala. Lakmé corre junto a ele pensando que estava morto, mas ao se aproximar percebe que não e o leva para sua cabana com a ajuda de seu criado Hadji.

Terceiro ato : Em seu refugio no meio da mata, uma cabana feita de bambu, Lakmé, cuida de seu amado deitado em uma cama feita de folhas, cantando  e dando-lhe ervas curativas que o fazem acordar bem melhor.O soldado inglês cada vez mais apaixonado quer abandonar tudo e viver com sua amada e completamente recuperado vai com ela  a fonte de águas mágicas e depois para a fonte do amor eterno. Lakmé o deixa um pouco sozinho e vai buscar água da fonte quando Frederik o encontra apos seguir seus rastros de sangue e o recorda de seu compromisso com Ellen e com o regimento que partirá em busca dos rebeldes. Ele insiste em lembrar-lhe  seu compromisso e sua honra de soldado. Então,  Gerard percebe que nunca seria feliz ao lado de sua amada, sendo um  traidor de sua pátria. Quando Lakmé retorna, ouve os passos ao longe dos soldados e o percebe diferente e compreende a decisão de seu amado. 

Conhecedora das flores, Lakmé desolada,  escolhe uma venenosa e mastiga-a, depois toma um pouco da água milagrosa da fonte e dá ao seu amado, fazendo com que ele se torne seu marido e seja protegido do perigo, com esse ritual, Gerard fica convertido a um ser sagrado também  Quando seu pai chega na cabana e reconhece o oficial,  dá ordens para o matarem, mas, Lakmé lhe diz que de nada mais adianta pois já beberam da água da fonte sagrada e permanecerão agora unidos para sempre.

Lakmé morre nos braços de seu amado e seu pai se consola pois sabe que  agora sua filha está na morada celestial junto aos deuses. 
E Gerard chora desesperadamente a morte de seu grande amor !!!!!

By Rose Colaneri


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

24 de dezembro - Pai...saudades...Comemorar, recordar - Rubem ALves

As rosas tem significado pessoal - 
 "um simbolo de amor eterno entre eu, minha filha e meu pai"... !
24 de dezembro - aniversario de meu PAI -
Saudades demais...
 
 
A saudade é um buraco na alma que se abriu
quando um pedaço nos foi arrancado.
No buraco da saudade mora
 a memória daquilo que amamos,
tivemos
e
perdemos.
A saudade é a presença de uma ausência.
***
 
A saudade abre as portas
para os lugares mais fechados,
e mais belos de nossas mentes.
Até o silêncio torna-se aliado da saudade...
Um quarto silencioso é o local mais apropriado
para que essa tal da saudade apareça...
E ela vem... Medindo o amor...
E dizendo “você não cabe em um lugar tão pequeno!
Precisa sair” e o amor sai...
Derrama-se pelo rosto
e o “buraco dolorido na alma” fica maior...





*Rubem Alves*

 
 
Comemorar, recordar...
 
É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.
 
Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?
 
Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.

 
Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...

 
Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.

 
Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"

 
Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."

 
Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira.

 
 Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...
*Rubem Alves*


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beethoven - Fantasia Coral em Dó Menor - Op.80 - Fantasy Choral by Rose Colaneri

Steinway, N C Wyeth, "Beethoven and Nature" (1919)
"Pouca gente compreende que cada frase musical é um trono da paixão e que a paixão é o trono da música".
*Beethoven*

Fantasia Coral em Dó Menor - Op.80
A pérola esquecida de Beethoven...

Esquecimento esse I.M.P.E.R.D.O.Á.V.E.L.

Pouco se fala dessa magnífica obra do grande Beethoven, raros são os artigos encontrados, mesmo em bons livros biográficos às vezes somente uma pequena menção, o que para mim é um grande sacrilégio, uma grande injustiça à obra e à grandeza de alma de Ludwig van Beethoven.

Fantasia Coral traz em sua "suprema magnitude" uma "sublime leveza". Ao ouvi-la não consigo conter a emoção que me toma completamente...é brilhante a forma como essa obra me transporta a um mundo surreal de indizível prazer...beleza...êxtase !!!

Composta em dezembro de 1808 em tempo muito curto para os padrões, foi apresentada em 28 de dezembro de 1808 na Academia de Viena num grande concerto de Beethoven em seu próprio beneficio, já que estava em grandes dificuldades financeiras.

No programa, Beethoven estreou a Quinta e a Sexta Sinfonias, Concerto nº4 para piano e orquestra, e também foram apresentados os primeiros três movimentos da Missa, Op. 86 e Abertura Coriolano e para dar um "Gran Finale" a essa brilhante noite, ele apresentou fantasia para piano em ritmo de Adágio.

Já no inicio destaca-se as variações ao piano, diz-se que foi o próprio Beethoven que atuou como solista com seu estilo de improvisar e talvez tenha sido esta, uma das ultimas apresentações do grande compositor ao vivo, já que a surdez o afastava dos palcos. Houve nessa apresentação uma série de problemas devido em parte à falta de ensaios adequados e também ao conflito durante a performance da música. No entanto, essa magnífica obra de Beethoven sobrevive até os dias de hoje.

Diz-se ser essa obra, o prenuncio de Ode a Alegria, já que se assemelha muito do que será esse magnifico final da Nona Sinfonia, 15 anos mais tarde.

Fantasia Coral reúne orquestra, coro e uma parte de piano solo, tem cerca de 20 minutos e divide-se em dois movimentos : Adágio e Finale Allegro

Eis os ultimos versos - côro:

"Aceitai, pois, alegremente, almas nobres,
Os presentes da nobre arte.
Quando o amor e a força se unem,
O homem é agraciado pelo favor dos deuses"...

Ludwig van Beethoven - o Grande Maestro - Compositor - Pianista - Professor - Um Grande Mestre - o melhor para mim...THE BEST !!

Rose Colaneri

sábado, 7 de julho de 2012

Ao meu Pai !!







Ainda te Necessito

"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.

Ainda não estou preparado pra crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.

Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.

Não estou preparado para que não me abraces
e para não poder te abraçar.

Ainda te necessito.

E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?

Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.

Ainda te Necessito."

*Pablo Neruda*


Desejo a máquina do tempo para que não haja o havido e eu recomece misericordiosamente."
" É tão breve tudo, a estrela risca o céu de escuro a escuro
e findou-se a vida".
*Adélia Prado*

" A vida não faz qualquer pausa para nos lembrar que está indo embora.
Só você mesmo pode manter isso em mente."
*SÊNECA*

Muitas velas, muitos remos.
Âncora é outro falar ...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular
*Cecília Meireles*



"Por isso, por causa desse tempo misterioso, é preciso amar cuidadosamente com o olhar,
com os ouvidos, com a mão que tateia para não ferir… enquanto há tempo..."
*Rubem Alves*


"Céu é o lugar poético onde estão guardadas as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou.
Falar 'Céu' é dizer esperança de reencontro."
*Rubem Alves*

♥ Pai ♥
...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Turandot - A Ópera - Puccini ♫ Nessun Dorma ♫

Tela do artista Karl Bang


Turandot

A Princesa Turandot, filha do Imperador Altum da China, odeia todos os homens, e jura que jamais se entregará a nenhum deles; isto devido a um fato ocorrido na família imperial que a traumatizou para sempre: o estupro e assassinato da princesa Lo-u-Ling, quando os tártaros invadiram e conquistaram a China. Seu pai, porém, exige que ela se case, por razões dinásticas, e para respeitar as tradições chinesas. A princesa concorda; porém, com uma condição: ela proporá três enigmas a todos os candidatos, que arriscarão a própria cabeça se não acertarem todos os três, e somente se casará com aquele que decifrar todas as três duríssimas charadas. A crueldade e frieza da princesa não fazem mais do que atiçar a paixão do Príncipe Desconhecido, filho do deposto rei dos tártaros, que decide arriscar a própria vida para conseguir a mão da orgulhosa princesa. Ele consegue, após a derrota de todos os outros candidatos, até porque é o único que compartilha da natureza sádica e egoísta da princesa, sendo capaz de entendê-la.

Ato I

Pequim. Um arauto do governo imperial anuncia à multidão, reunida na Praça da Paz Celestial, o decreto do imperador Altum: a Princesa Turandot desposará aquele que, de sangue real, decifre os três enigmas que ela proporá. Aquele que se arriscar, porém, e fracassar, pagará com a vida. O Príncipe da Pérsia acaba de tentar, mas não teve sorte: será executado ao nascer da lua. A multidão mal pode esperar para ter o prazer de assistir à execução (Perchè tarda la luna?). No meio dessa turba ensandecida está o velho Timur, incógnito príncipe destronado dos tártaros, e sua fiel servidora Liù. O Príncipe Desconhecido, filho de Timur, exulta de alegria ao reencontrar seu pai, que julgava morto. A lua surge no céu. Aparece o Príncipe da Pérsia a caminho do patíbulo; longe de parecer assustado diante da morte, ele parece estar num êxtase místico, embriagado pela beleza de Turandot. Aqui a princesa entra em cena pela primeira vez. Tomados de compaixão pelo jovem príncipe, todos suplicam-lhe por clemência; mas, ao invés, sem hesitar um só segundo, num gesto imperioso, frio, e cruel, ela dá o sinal ao carrasco que faz descer o machado no pescoço do príncipe. É neste exato momento que o Príncipe Desconhecido se apaixona por Turandot, e anuncia sua intenção de se candidatar à mão da princesa. Todos tentam demovê-lo da idéia: seu pai, os três ministros imperiais Ping, Pang e Pong, e Liù que, numa comovente ária, Signore ascolta, confessa que está apaixonada pelo príncipe desde o dia em que pela primeira vez o viu sorrir no palácio real. O Príncipe responde pedindo-lhe que nunca deixe de tomar conta de seu velho pai, se ele vier a faltar (Non piangere Liù). Aos gritos gerais de louco! insensato! o que estás fazendo? - o príncipe toma do martelo, e dá três golpes no gongo, sinal de que está se candidatando à mão de Turandot.

Ato II

Os três ministros Ping, Pang e Pong discutem o destino da China, e comentam que, desde que Turandot começou a reinar, ninguém mais tem paz no Celeste Império: o machado e os instrumentos de tortura funcionam noite e dia. Monta-se a cena diante do Palácio Imperial para a cerimônia dos enigmas. Surge em cena o velho imperador Altum, que tenta convencer o jovem pretendente a desistir: "Permite, meu filho, que eu possa morrer sem levar para o túmulo essa culpa pela tua jovem vida, muito sangue já correu!" Mas é tudo em vão, a obstinação do jovem Príncipe Desconhecido deixa todos estupefatos. Surge Turandot, que olha o candidato com olhar frio, impassível, e cheio de desdém. Sua voz se faz soar pela primeira vez: "Neste palácio (In questa Reggia), já faz mais de mil anos, um grito desesperado ressoou; e aquele grito, da flor da minha estirpe, um eco eterno na minh'alma deixou. Princesa Lo-u-Ling!… Há séculos ela dorme na sua tumba enorme! Estrangeiro, desiste! Os enigmas são três, a morte é uma." Tendo o príncipe recusado sua última chance de escapar ileso, Turandot expõe seu primeiro enigma. "Qual é o fantasma que nasce todas as noites, apenas para morrer quando chega a manhã?" "É a esperança," responde o príncipe. Os três sábios do reino consultam o livro das respostas: primeira resposta, correta. Turandot, por um breve momento, parece ter sentido um choque, mas não se deixa abater, e diz cheia de escárnio: "Sim! A esperança que ilude sempre!" Impassível, ela propõe o segundo enigma: "O que é vermelho e quente como a chama, mas não é chama?" "O sangue," responde o príncipe. Os sábios consultam seus livros: a segunda resposta também está correta. Agora, Turandot parece ter perdido um pouco a compostura, mas se convence de que nem tudo está perdido. Vem o terceiro enigma: "Qual é o gelo que te faz pegar fogo?" "Turandot." "Turandot! Turandot!" gritam os sábios em coro. Resposta correta! Agora, o desespero toma conta de Turandot, que se atira nos braços do pai: "Pai, não me obrigue a entregar-me a este estrangeiro!" Mas seu pai lhe responde que nada pode fazer: o juramento é sagrado. O Príncipe Desconhecido, porém, afirma que não quer ter Turandot contra a vontade da princesa. Ele propõe-lhe, então, um único enigma; se ela responder corretamente, ele desiste dos seus direitos, e entrega sua cabeça ao carrasco. "Tens até a aurora," diz ele, "para descobrir meu nome."

Ato III

Funcionários públicos percorrem as ruas de Pequim com lanternas acesas. Numa ditadura perfeita, onde ela tem poderes ilimitados, Turandot ordenou que ninguém durma esta noite em Pequim: todos devem ajudar a descobrir o nome do Príncipe Desconhecido.

É então que o príncipe canta a celebérrima ária Nessun Dorma (Que ninguém durma).

(Nessun Dorma com os maravilhosos tenores:
Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, )

Os três ministros Ping, Pang e Pong tentam fazer de tudo para convencer o jovem a desistir, oferecendo-lhe lindas mulheres, riquezas, e um visto de saída da China - mas tudo em vão. De repente, alguém se lembra de que viu o jovem príncipe em companhia de Liù e do velho. Turandot ordena que Liù seja torturada, até que revele o nome do príncipe; ela morre sem dizer uma palavra, numa das mortes mais comoventes de todas as óperas. O dia nasce com o velho chorando sobre o cadáver de Liù. "Liù, bondade! Liù, doçura! Liù, poesia!". Calaf, o principe desconhecido vê Turandot, ela pede que todos saiam e tem um duo com ele (este já composto por Franco Alfano)em que ela se revela humilde. Calaf conta qual é o seu nome, e os guardas chegam; Turandot restaura seu orgulho, mas na hora de falar qual é o nome de Calaf ela fala que o nome dele é "Amor".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Turandot

Nessun dorma!
Nessun dorma!
Tu pure, o Principessa,
Nella tua fredda stanza guardi le stelle,
Che tremano d`amore e di speranza!