quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É Primavera !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! By Rose Colaneri







É Primavera !!!

Chega enfim a estação mais bonita...onde as flores estão em seu mais alto esplendor...o perfume está no ar...a despeito do que estamos sentindo nesse momento, a primavera está aí...e quem tem “olhos” para apreciar poderá ver e sentir o poder das flores. Elas são criadas no plano etérico e chegam a nós através de “anjos”. Essa beleza é mais uma prova de Amor de Deus por nós...

Há o jardim de fora e o jardim de dentro...se cultivarmos bons sentimentos, nosso jardim interior será sempre florido como a primavera, o de fora, indiferente à tudo, sempre florescerá, mas algumas pessoas não conseguirão vê-lo...como diz Cecília Meireles : “A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la”.


Grandiosa é a alma que abriga flores das mais variadas espécies, por cultivar o solo dos sentimentos com os melhores fertilizantes e as mais belas sementes: Amor, gratidão, compreensão, perdão e compaixão.

Viva a Primavera intensamente, a energia das flores está no ar...flor é beleza, delicadeza, suavidade, é amor...mas também é impermanência...como tudo em nossas vidas, portanto não deixe para apreciá-las amanhã, assim como não deixe para viver...amanhã!!

Rose Colaneri

Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada, ou qualquer lago seja construído é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma.Quem não tem jardim por dentro, não planta jardim por fora. E nem passeia neles".

Rubem Alves

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Desertos...by Rose Colaneri, Um Peregrino, JY Leloup








Quem nunca vivenciou um deserto,
nunca esteve sozinho dentro de si mesmo.
Muitas vezes estar num deserto é o único caminho para se conhecer verdadeiramente, se olhar no espelho e reconhecer que além do reflexo físico,
há uma alma, que abriga tudo que sentimos, que busca a completa interação com os corpos físico, etérico, emocional, mental,
que muitas vezes estão em total dissonância e se perdem...
nunca se encontram... e a paz que tanto queremos, não acontece...

Amar é muito mais que desejar,
Refletir é muito mais que interiorizar...
Viver é muito mais que existir!!

* * *
Por um tempo andei pelo deserto Sem saber onde ia chegar...
Sem força...com pouca fé...
Até que o cansaço e as dores me fizeram parar,
E por um tempo desistir...
O meu deserto era negro apesar do Sol, e muito cruel...
Destruindo e transformando tudo em cinzas.
A solidão me mantinha agarrada nos braços da morte...
O deserto significa morte quando ficamos parados nele...
Mortos vivos...vivos mortos...
Ficamos presos no instante onde nada...nada acontece...
Mas esse mesmo deserto, essa mesma solidão, podem levar a outros caminhos E podem significar... Renascimento!
Quando não há mais fé e força para levantar e prosseguir,
Sutilmente, Um Poder Superior se faz presente...revelando caminhos...
E é preciso reconhecer nos simbolismos,
a luz que iluminará e fará com que das cinzas surja uma nova vida:
como a Fênix!
E o mesmo Sol que antes feria o corpo no deserto,
Torna-se a Luz que direciona,
que dá forças para prosseguir...
Em busca de si mesmo,
em busca do melhor de si mesmo,

No amor, no auto-perdão...
na compreensão... de que um dia tudo passará,
Porque tudo passa, tudo é impermanente,
Até as coisas ruins que nos acontecem...
By Rose Colaneri


*****************



Deserto, vazio, imensidão e silêncio,

tempestades de areia, calor abrasador,

oásis e repouso:

“Anuncia-lhes

Que a água deve ser bebida

por diversas sedes, a maior e a menor,

não avalies a bondade da água

pelo tamanho da tua bilha

a parte prometida

a parte permitida

a cada um,

é aquela que pode caber

na palma de suas mãos,

anuncia-lhes ainda

que a água só é viva

para aqueles que têm sede...”

Jean-Yves Leloup, em “Deserto, Desertos"



- Desertos –

Existe a bondade da água,

e existe a palma das mãos...

O deserto nos situa fora dos acontecimentos do tempo e do espaço

onde o tempo é abolido,

o espaço perde os limites

onde o espaço não tem limites,

o tempo é abolido

assim o deserto nos conduz

às fronteiras do tempo-espaço

a sede do dia

pouca coisa interessa ao caminhante

salvo o encontro com a fonte.


**

NO DESERTO

você não se deita duas vezes

sobre a mesma duna

o sangue a pulsar nas veias

os pés-de-vento nas areias

o tempo tudo transforma,

tudo modifica

o mundo que está vindo a ser

Já não é mais o que era antes

chega-se ao deserto no dia em

que se descobre que sempre se

esteve ali , e o que nos

escondia o deserto?

Um certo conforto

um certo esquecimento

mas lá estava ele

FIEL, E TENAZ


**

Partir para o deserto é partir para o mais longe de si mesmo e dali depois voltar para o mais perto

adereços e ornamentos , dispensáveis não têm vez no deserto, pois, para atravessá-lo, apenas do essencial não se deve prescindir e, nessa travessia, o que vem a ser essencial?


**
Essencial é recordar

a lição da flor de lótus,

que, em meio ao lamaçal do pântano, emerge límpida e resplandecente.


Essencial é cultivar

um coração puro e radiante,

tal qual a flor de lótus.


O essencial em geral tem a ver com a simplicidade, estando ao alcance de quem o queira buscar. Simplicidade como beber água direto na nascente, com a concha formada pela palma das mãos vazias.

Mãos limpas e abertas são necessárias

àqueles que almejam alcançar a Fonte.


Essencial é a sede espiritual.

A água límpida da Nascente

vivifica, dignifica, purifica...



**
Essencial é compartilhar

os bens e os dons com os quais fomos

agraciados pela Vida.

Compartilhar o nosso excedente

com aquele que se encontra privado do necessário.


“Não se enriquece sendo miserável;

ninguém empobrece sendo generoso.”

antigo ditado oriental


Essencial é respeitar e proteger a vida,

em todas as suas manifestações.

Essencial é buscar o conhecimento, o saber.

Essencial é o amor.


Amar tem mais a ver com “encontrar”

do que com “escolher”.


E ao se compartilhar sonhos e anseios,

dores e alegrias,

o mundo se torna mais leve.

Essencial é a família.

**

Não nos é dado escolher a família onde nascemos...,

...mas está nas nossas mãos o cultivo de

relações familiares harmoniosas, amando,

quando possível,

perdoando, sempre que necessário.


“Uma família feliz nada mais é

que o paraíso antecipado.”


Essencial é recordar que, apesar de

todas as aparentes diferenças,

- de raça, credo, idioma...

...pertencemos todos a uma única família,

- a família humana...,

...e que todos compartilhamos os

mesmos anseios por dignidade,

liberdade e uma vida plena.


Somos todos raios de uma mesma Luz,

ecos de uma mesma Voz...,

...navegantes do mesmo mar da Vida.



**


Essencial é proteger a infância.

Essencial é garantir as condições necessárias para que toda criança desenvolva seu pleno potencial,

físico, mental, emocional, social, espiritual...


Essencial é recordar que as crianças têm muito mais para ensinar do que aprender,

Essencial é saber ver, querer ouvir.

Essencial é o devido respeito aos idosos.

Essencial é fazer sábio uso

do vigor da juventude...


Essencial é amparar o enfermo,

socorrer o necessitado.

Essencial é não permitir que a rotina nos torne alheios aos mistérios e encantos que a vida entesoura.


Antes das tantas cidades erguidas,

o que havia, senão o deserto?

Essencial é não esquecer

as lições do deserto.

**


A lição de seguir adiante,

de não se deixar abater diante do vento abrasador,

do calor escaldante, das noites sem luar.


A lição da fugacidade

e da fragilidade da existência humana,

a nos recordar a todo instante

de quão delicada e breve é

a nossa passagem terrena.


A busca por sentido por algo que transcenda

as cores e as formas efêmeras, por algo maior

do que as miudezas do dia-a-dia

“O que é o homem?”,

“O que é o mundo?”,


Perguntavam-se os antigos povos do deserto.


-“Uma gota de orvalho na borda de um cântaro”


Diria mais tarde o profeta Isaías.

**

Uma gota de orvalho que se desvanece mais célere ainda sob o sol do deserto.

O deserto nos ensina a ver a claridade que há no olhar da criança, e a luminosidade, no olhar do ancião.

Uma luz que viu e atravessou a noite,

uma inocência que nada ignora das durezas e dos esplendores da existência.


O caminhante que resolve percorrer a imensidão e o silêncio do deserto, em direção ao Infinito, não embarca numa empreitada de aniquilamento.

Antes, haverá de reatar os laços com aquilo que o ser humano tem de Eterno, e que se achavam velados pelas ocupações e preocupações do tempo.

**

“O mundo é a extremamente pesada presença das coisas, onde se sente por vezes a demasiadamente viva ausência de Deus...”


“O deserto é a extremamente dura ausência das coisas, onde se sente às vezes a demasiadamente doce presença de Deus”


Jean-Yves Leloup
um_peregrino
Copie com Amor,
preserve o nome do autor

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A beleza dos sentimentos - Rubem Alves







Porque hoje é aniversário de Rubem Alves e o vídeo é especial para ele.
Parabéns Rubem Alves !




"Chega um dia que faz a gente parar e prestar atenção:
o dia do aniversário.
No dia do aniversário a gente diz:
“Passou mais um ano da minha vida“.
Jeito bobo. Os números não dizem nada.
Há um verso sagrado que diz:
“Ensina-me a contar os nossos dias de tal maneira
que alcancemos corações sábios.“
Muita gente envelhece sem ficar sábio.
O que é um sábio?
Sábio não é quem sabe muito.
Sábio é quem come a vida
como se ela fosse um fruto saboroso.
O que dá prazer e alegria não são coisas grandes,
festas com bolo, bexigas e presentes.
O que dá alegria são coisas pequenas.
Por exemplo: brincar com um cachorrinho.
Balançar num balanço.
Andar na água fria de um riachinho.
Ver um ipê florido. Ler um livro.
Armar um quebra-cabeças.
Ver fotografias antigas.
O sábio presta atenção nos prazeres
e alegrias de cada momento".


"Nasci no dia 15 de setembro de 1933. Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que "não tenho", sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe..."

Rubem Alves


A BELEZA DOS SENTIMENTOS DE RUBEM ALVES


“Se te perguntarem quem era essa que às areias e gelos quis ensinar a primavera...”: é assim que Cecília Meireles inicia um dos seus poemas. Ensinar primavera às areias e gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?

Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como? - se ele não ouve. E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, filósofos e professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que podem ser ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade... Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A beleza é inefável; está além das palavras.

Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em vôo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha consciência disso quando disse: "Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo em minha alma... Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz: ela aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música - de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

Não é possível fazer uma prova colegial sobre a beleza porque ela não é um conhecimento. E nem é possível comandar a emoção diante da beleza. Somente atos podem ser comandados. Ordinário! Marche!", o sargento ordena. Os recrutas obedecem. Marcham. À ordem segue-se o ato. Mas sentimentos não podem ser comandados. Não posso ordenar que alguém sinta a beleza que estou sentindo.

O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras. Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Enterradas na carne, como se fossem SEMENTES À ESPERA...

Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes - lembre-se da estória da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende... As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas... De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões...

Uma dessas sementes tem o nome de "solidariedade". A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora ela poderia ser ensinada. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade, semente, tem de nascer.

Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silésius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem por quês. Ela floresce porque floresce." O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

A solidariedade é como o ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: "Seja solidário!" Ela acontece como simples transbordamento. Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção um transbordamento da alma do compositor...

Disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna humanos. É um sentimento estranho - que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho das suas balas. Eu e a criança - dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável, esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha vindo, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foi-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se.

Ele está agora ligado a outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa e nem por um mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade. Acho que esse é o sentido do dito de Jesus que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. Pela magia do sentimento de solidariedade o meu corpo passa a ser morada do outro. É assim que acontece a bondade.

Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primaveras a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão...

O menino me olhou com olhos suplicantes.

E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes...

Fonte:
http://stoa.usp.br/anacesar

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