sábado, 27 de agosto de 2011

Valeu a pena ??? By Rose Colaneri and Rubem Alves








Sempre chega um momento em nossas vidas que nos questionamos: Valeu a pena?

Parafraseando Fernando Pessoa : Valeu a pena, se a alma não é pequena”. Cada um sabe quantas dores lhe cabe na alma e como as suporta, cada um sabe o que faz com aquilo que o fez sofrer ou sorrir. Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é (Caetano Veloso).

Nessas experiências de vida é que tomamos consciência do poder da força e da fé que possuímos, ou não, do amor que temos dentro de nós e de sua potência perante os desafios, descobrimos o quão grande é a fragilidade de ser e estar, e quanto pesa a dor da escuridão da alma...

dos silêncios...desencontros...abandonos...solidão...desamor...

e o encontro consigo mesmo.

Muitos se perderam no caminho para depois se encontrar, muitos se perderam no caminho somente para hibernar e nada mudar, muitos se perderam no caminho para realmente se perder...cada um conhece somente a dor que lhe cabe verdadeiramente, cada um sabe de si somente...

“Não importa o que fizeram com você.
O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”.
Jean Paul Sartre





Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!




Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa

Ninguém passa por sua vida sem deixar uma marca...algumas são feridas que doem e sangram, outras são o bálsamo que lhe ajudará a cicatrizar essas feridas, outras deixam seu perfume encantador e enriquecedora sabedoria. Algumas marcas somem com o tempo...outras ficam como cicatrizes bem visíveis como prova de aprendizado para que não se repitam os mesmos erros...outras...as marcas do bem ficam eternas como perfume no ar...que a qualquer momento pode voltar a ser exalado...Às pessoas que por vezes passam tão rapidamente por nós dando exemplos de amor e superação devemos toda gratidão e carinho, essas são as verdadeiras conquistas pessoais, que ficam marcadas no coração...mesmo que passem como um relâmpago, um momento fugaz, mas são momentos de êxtase profundo que sobreviverão para sempre na memória e na saudade...

Esses breves instantes de vida, os bons, é que devem ser valorizados intensamente...são neles que moram nossas melhores recordações, neles residem nossa saudade hoje, porque saudades só sentimos daquilo que foi bom, mesmo que tenha sido por um instante ou por mais tempo. O que importa é na verdade termos a consciência que tudo é efêmero existencialmente, mas eterno na lembrança de nossos corações, emoções...que o eterno dentro de nós só abrigue as emoções do amor e nunca as de mágoas!

Pessoas entram e saem de nossas vidas, procure deixar nelas a melhor impressão de caráter, de lealdade, honestidade, bondade, respeito, amor, carinho, ternura...é isso que faz de você uma pessoa especial que certamente Vale a pena !!!!!

Porque a vida acontece agora no hoje...amanhã pode não existir , não deixe ninguém com mágoa de você...poderá não haver outro momento para curar feridas!!! Faça sempre Valer a pena!!!!!!!!!!!!

By Rose Colaneri


"Só é possível transformar-se na medida em que já se é."
Friedrich Novalis




Não compares tua vida com a dos outros. Não tens idéia do caminho que eles andaram”.

“Antes de me julgar, ande com as minhas sandálias”.

*.*



Por Rubem Alves




Ali estávamos nós quatro: você, eu, I-Ching e Beethoven. As moedas iam marcando a direção do oráculo-luz para sua pergunta. Mas você não sabia que há perguntas para as quais o livro dos oráculos não tem respostas. Porque ele foi escrito para aqueles que, diante do escuro do futuro, procuram um conselho de prudência:
Que fazer?

O livro não diz o que vai acontecer, porque ele não sabe. Suas respostas são como a previsão do tempo: tempo bom com nebulosidade; tempo instável, sujeito a chuvas; temperatura em declínio, aproxima-se um furacão… Ninguém que navega em barca a vela se atreve mar adentro sem antes lançar suas moedas e perguntar ao tempo o que o futuro reserva. Os que ignoram as advertências do tempo poderão pagar com a vida. Ulysses Guimarães pagou. Nunca mais foi achado. Acostumado ao poder, achou que poderia desafiar o tempo. Perdeu. Assim é o I-Ching: um oráculo que anuncia o tempo do Tao.

Tao é o nome do mar onde a vida navega. Cedia Meireles entendia:

Muitas velas, muitos reinos, âncora é outro falar, tempo que navegaremos não se pode calcular…

Não é possível derrotar o mar absoluto com os remos que temos nas mãos. É preciso fazer como quem navega: levantar as velas, direcionar o leme, e deixar-se levar pelo vento misterioso da vida…Mas você não estava pedindo um conselho de prudência sobre o futuro. Você pedia uma palavra de sabedoria sobre o passado.

Valeu a pena?

Tantos rochedos, tantas tempestades, tantas velas rasgadas e recosturadas, tantos mastros quebrados e consertados… Valeu a pena? E eu senti, na sua pergunta, uma outra mais terrível – se não teria sido melhor ter naufragado…E o I-Ching não soube que resposta dar. Talvez porque a resposta já estivesse no ar,um hexagrama inexistente onde estivesse escrito: Pergunta ao Beethoven!Já na cama, eu perguntei ao Beethoven. A gente estava ouvindo o último movimento da Nona Sinfonia.

Por várias vezes a orquestra cantara o tema, começando com os veludos dos violoncelos, os ouvidos tinham de prestar atenção, pois a música parecia um sussurro. Aos poucos os outros instrumentos foram acordando, saindo do seu silêncio, até que todos se puseram a tocar com força sobre-humana. Talvez este tenha sido o esforço supremo de Beethoven para ouvir aquela beleza perfeita que só ouvia com a alma, pois seus ouvidos já nada ouviam.

Valeu a pena?

A orquestra, então, como um golpe de marretas, uma cadência trágica e furiosa, interrompe a beleza celestial do tema num grito de revolta que diz: Não, não valeu a pena! Ao final, parece que o trágico leva a melhor. Mas isso era resposta que Beethoven não podia aceitar, ainda que fosse oráculo de I-Ching. E ele pede socorro de alguém maior que todos os oráculos. Ele chama um poeta. O poeta vem e canta sobre o trágico canto, o seu canto de alegria:

Oh! amigos – não cantemos assim: Cantemos com prazer maior, com mais alegria! Alegria! Alegria! Centelha de Deus! Todas as criaturas bebem dela, nos seios da natureza.

Faz muitos anos eu li o livro Lições de Abismo, de Gustavo Corção. É a história de um homem, nos seus 50 anos, que descobre que tem apenas mais seis meses de vida. Sem tempo para construir o futuro, ele olha para trás, na tentativa de ouvir alguma melodia que se tivesse anunciado em meio às dissonâncias de sua vida. E se perguntava:



Valeu a pena?



Que bom seria se fôssemos como uma sonata de Mozart, só 20 minutos, mas nesses minutos tudo o que é para ser dito, é dito!

Coitado! Ele não percebeu que a vida de alguém não se mede pelo número de anos vividos, da mesma forma como a beleza não pode ser medida pela duração da melodia. Beethoven disse tudo o que era para ser dito em 50 minutos. Mozart dizia o essencial em 20minutos. E Milton Nascimento faz a mesma coisa em quatro minutos. A Adélia Prado precisa apenas de 30 segundos. Blake dizia que a eternidade mora num grão de areia e pode ser contida na palma da mão. Com o que Borges concorda:

A vida é feita de momentos .

Valeu a pena?

A sua pergunta está respondida nos curtos momentos da Nona Sinfonia.

Curtos, mas destinados à eternidade.

“Cada momento de alegria, cada instante efêmero de beleza, cada minuto de amor, são razões suficientes para uma vida inteira. A beleza de um único momento eterno vale a pena de todos os sofrimentos”.







Um comentário:

  1. Quantas lições, quantos ensinamentos, quantas verdades há neste espaço.

    Beijos, querida amiga!

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